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Inadimplência de produtores rurais chega a 9,7% em agosto, maior da série do Banco Central

Dívidas atrasadas superam R$ 38 bilhões e número de empresas do agro em recuperação judicial passa de 1.000.

Redação Paraíba Hub18 de outubro de 2026, 09:082 min de leituraEditor responsável: Rayner HolmesApuração assistida por IA · revisão humana
Ilustração: mesa com contas e documentos vencidos, porquinho quebrado virado, espigas de trigo secas em luz suave
Imagem ilustrativa gerada por IA

A proporção de débitos vencidos há mais de 90 dias entre produtores rurais pessoa física chegou a 9,7% em agosto, a mais alta da série histórica do Banco Central. O total de dívidas atrasadas passou de R$ 38 bilhões em abril de 2026, ante menos de R$ 4 bilhões em 2023.

O quadro aparece também nas empresas do setor. O relatório "Agronegócio em Números", divulgado no dia 14 pelo Empresômetro, braço de inteligência de mercado do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), aponta que o número de companhias do agro em recuperação judicial cresceu 18,7% de 2023 a 2025, superando a marca de 1.000. No mesmo período, o total de funcionários nessas empresas caiu 12%, com a eliminação de mais de 12 mil postos de trabalho.

O estudo calcula ainda um efeito em cadeia: cada companhia grande do agronegócio que entra em recuperação judicial empurra, em média, cinco empresas para o mesmo caminho e provoca o desaparecimento de outras 22. "Quando uma empresa desaparece, isso significa que deixou de comprar e vender. Ela pode até permanecer ativa na Receita Federal, mas está inoperante", diz Carlos Pinto, diretor do IBPT.

Casos e crédito

Entre as empresas em recuperação judicial está o frigorífico BMG Foods, com R$ 3,5 bilhões em débitos. O Grupo Trebeschi, maior produtor de tomates in natura do país, pretende reestruturar metade de sua dívida, de R$ 1,3 bilhão.

O volume de crédito rural concedido em julho e agosto deste ano para a próxima safra foi de R$ 42 bilhões, 30% menos que em 2025 e 54% menos que em 2023. O crédito com juros subsidiados representa menos de 20% dos mais de R$ 500 bilhões oferecidos pelo atual Plano Safra. "Vivemos uma crise de crédito muito grave, o que não combina com um setor cuja expansão depende de financiamento", afirmou Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul.

A proteção contra perdas também encolheu. Documento da Associação Brasileira do Agronegócio aponta que a área cultivada coberta por seguro rural caiu de 16,3%, em 2021, para 3,3%, em 2025, enquanto as perdas superaram R$ 100 bilhões nos últimos três anos.

Apesar do endividamento, o setor seguiu puxando a atividade econômica. No segundo trimestre, o PIB cresceu 0,5% em relação aos três meses anteriores, alavancado pela agropecuária, que avançou 2,8%, enquanto a indústria teve alta de 0,1% e os serviços, 0,2%.

Esta matéria foi organizada pela redação do Paraíba Hub com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas e segundo a nossa política editorial. A IA não é fonte: ela não cria fatos, números ou declarações.

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