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Lula reeleito e governador aliado: o que a Paraíba ganha? entenda

Turismo em alta, economia em expansão e obras de infraestrutura colocam o estado diante de novas oportunidades; desafio será converter articulação política em entregas para a população.

Redação Paraíba Hub27 de outubro de 2026, 15:08Atualizado às 20:089 min de leitura
Lula reeleito e governador aliado: o que a Paraíba ganha? entenda
Foto: Divulgação

A Paraíba chega a um novo ciclo político com oportunidades de ampliar investimentos, fortalecer o turismo e impulsionar o crescimento econômico. Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Lucas Ribeiro (PP), aliado do petista, o estado tem a possibilidade de fortalecer o diálogo entre os governos e facilitar a articulação por recursos federais para obras e projetos estratégicos. O desafio será transformar essa proximidade política em investimentos efetivos, geração de empregos e melhorias na qualidade de vida dos paraibanos.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos no país. Na Paraíba, recebeu 67,46% dos votos válidos, resultado que demonstra a força eleitoral do presidente no estado. Lucas Ribeiro, que participou ativamente da campanha pela reeleição de Lula, defendeu a continuidade do diálogo entre as duas administrações como caminho para fortalecer ações já existentes e ampliar a cooperação.

“De ontem para hoje, me deu um alívio e tranquilidade da gente poder manter essa parceria, ter um diálogo permanente. A gente tem essa oportunidade de incrementar e fortalecer ainda mais as ações aqui na Paraíba”, afirmou o governador após o resultado eleitoral.

A proximidade entre os governos pode facilitar a articulação por recursos federais, a apresentação de projetos e a busca por soluções para demandas históricas. Mas a relação política, por si só, não garante novos repasses nem a conclusão das obras. A capacidade de planejamento, a execução dos projetos e o acompanhamento dos investimentos serão decisivos para que as oportunidades se transformem em benefícios concretos.

Uma economia que cresce e busca diversificar oportunidades

A Paraíba inicia esse novo ciclo com indicadores que ajudam a explicar o cenário de oportunidades. Em 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual alcançou R$ 96,96 bilhões, com crescimento real de 3%, segundo os dados reunidos no material econômico utilizado nesta reportagem.

Para 2026, uma projeção divulgada pelo Banco do Brasil em abril apontou crescimento de 4,4% para a economia paraibana, com destaque para os setores de serviços e construção civil. Trata-se de uma estimativa, e não de um resultado consolidado. Ainda assim, o cenário sinaliza espaço para ampliar a atividade econômica e atrair novos negócios.

O mercado de trabalho também apresenta números relevantes. A Paraíba abriu 31.043 vagas formais em 2025, de acordo com o Novo Caged. Os serviços responderam por 23.935 postos, o que evidencia a importância do setor para a geração de empregos.

Outro componente da economia estadual são os pequenos negócios. Em julho de 2026, a Paraíba reunia 410.511 empreendimentos desse porte, segundo levantamento do Sebrae com dados da Receita Federal. O desafio agora é fortalecer essas empresas, ampliar o acesso ao crédito e à qualificação profissional e criar condições para que os negócios cresçam e permaneçam ativos.

Nesse cenário, investimentos públicos podem ajudar a melhorar a infraestrutura e abrir espaço para a iniciativa privada. Entretanto, o desenvolvimento também depende de crédito acessível, produtividade, formação profissional e capacidade de diversificar a economia para além dos setores que já apresentam maior dinamismo.

João Pessoa vira a queridinha do Nordeste

Se a economia paraibana busca novos caminhos, João Pessoa se tornou uma das principais vitrines desse movimento. Com praias, gastronomia, patrimônio histórico e uma rede crescente de serviços, a capital vem ampliando sua presença no mercado turístico nacional e internacional.

A cidade reúne cerca de 24 quilômetros de litoral, com praias como Tambaú, Cabo Branco, Bessa e Manaíra. Também oferece atrações como o Farol do Cabo Branco, o Centro Histórico e passeios para piscinas naturais. Na região metropolitana, o pôr do sol na Praia do Jacaré, em Cabedelo, é outro atrativo conhecido pelos visitantes.

A combinação de belezas naturais, clima, gastronomia e experiências culturais ajuda a explicar por que a capital vem sendo chamada de “queridinha do Nordeste”. O crescimento, porém, não se resume à divulgação turística: ele também aparece nos números de procura por viagens.

Levantamento do buscador Viajala colocou João Pessoa na quinta posição entre os destinos mais procurados para viagens no último trimestre de 2026, depois de a cidade ocupar o sétimo lugar no mesmo período de 2025. O preço médio da passagem aérea de ida e volta caiu 12,3%, de R$ 1.911 para R$ 1.676.

A presença de visitantes estrangeiros também aumentou. Dados da Embratur, do Ministério do Turismo e da Polícia Federal apontaram crescimento de 48% na chegada de turistas internacionais por via aérea à Paraíba entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O avanço tem potencial para movimentar hotéis, restaurantes, transportes, passeios, comércio e pequenos empreendedores. Além da capital, a estratégia de promoção turística busca distribuir visitantes por outras regiões, com roteiros que valorizam o Brejo, o Cariri, o Sertão, o litoral sul e o patrimônio cultural paraibano.

A oferta inclui experiências como a Rota Eco Criativa do Brejo, roteiros de natureza, observação de aves, turismo gastronômico e percursos ligados à cultura e às tradições locais. O estado também promove o Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa, como parte da estratégia para ampliar a capacidade de receber visitantes e atrair investimentos privados.

A expansão do turismo, no entanto, exige planejamento. Mais visitantes significam maior demanda por mobilidade, saneamento, segurança, hospedagem e serviços públicos. O desafio é fazer com que a atividade gere renda de forma duradoura, sem comprometer a infraestrutura e a qualidade de vida de quem já vive na cidade.

Crescimento de João Pessoa vai além das praias

O aumento da procura por João Pessoa também aparece na escolha de brasileiros e estrangeiros que decidem morar na capital. A estimativa do IBGE para 2026 é de 906.093 habitantes, acima dos 833.932 registrados no Censo de 2022.

No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, João Pessoa alcançou 67,73 pontos e ficou na nona posição entre as 27 capitais brasileiras, liderando o recorte nordestino. O indicador considera 57 aspectos sociais e ambientais, distribuídos em áreas como necessidades básicas, bem-estar e oportunidades.

O resultado ajuda a contextualizar a atratividade da cidade, mas não elimina os desafios provocados pelo crescimento. O aumento populacional exige ampliação dos serviços públicos, oferta de moradia, mobilidade urbana, saneamento e oportunidades de trabalho.

Na capital, iniciativas municipais de microcrédito, apoio ao empreendedorismo, segurança alimentar e habitação integram as políticas voltadas à população. Entre janeiro e setembro de 2026, por exemplo, a Prefeitura de João Pessoa informou ter distribuído 990 mil refeições por meio de cozinhas comunitárias, restaurantes populares e pontos descentralizados de alimentação.

Essas ações são de responsabilidade municipal e não devem ser confundidas com investimentos federais. Ainda assim, mostram como diferentes níveis de governo e políticas públicas podem atuar sobre questões que influenciam o desenvolvimento de uma cidade em expansão.

Para a Paraíba, o crescimento da capital representa também uma oportunidade de fortalecer outros municípios. A ampliação dos roteiros turísticos, a melhoria das estradas e a integração entre destinos podem distribuir melhor a circulação de visitantes e estimular atividades econômicas fora da Região Metropolitana de João Pessoa.

Obras de infraestrutura colocam a parceria à prova

É na infraestrutura que a relação entre os governos federal e estadual poderá produzir alguns dos efeitos mais visíveis. O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) reúne centenas de empreendimentos na Paraíba, incluindo projetos rodoviários, hídricos, de habitação, saúde e educação.

Levantamento publicado pelo Jornal da Paraíba em outubro, com base em dados da Casa Civil, identificou 772 empreendimentos na carteira do PAC no estado, com valor estimado de R$ 21,41 bilhões. Desse total, 346 obras apareciam em execução, enquanto 233 estavam classificadas como concluídas.

Os números mostram a dimensão da carteira de investimentos, mas também revelam o tamanho do desafio: parte expressiva dos projetos ainda precisa avançar. Entre as intervenções que afetam diretamente a mobilidade estão a triplicação da BR-230, entre Cabedelo e João Pessoa, e a duplicação da rodovia em Campina Grande.

A triplicação da BR-230 é uma obra federal executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Em setembro, o Ministério dos Transportes informou que os serviços de restauração da via marginal em Cabedelo continuavam em andamento, com previsão de conclusão para a segunda quinzena de novembro de 2026.

A conclusão e a entrega dessas intervenções podem melhorar o deslocamento diário, reduzir gargalos e facilitar o transporte de mercadorias. Para uma economia que depende de serviços, comércio, indústria e turismo, a infraestrutura rodoviária tem impacto que vai além do trânsito: influencia custos, logística e acesso a mercados.

Outra obra de grande porte é o Complexo Rodoviário Ponte do Futuro, que ligará Cabedelo, Lucena e Santa Rita. O empreendimento prevê duas pontes, intervenções em rodovias e estruturas complementares. Segundo a Companhia de Desenvolvimento da Paraíba, o investimento soma R$ 465,5 milhões em recursos próprios do estado.

A Ponte do Futuro é uma iniciativa estadual, e não deve ser apresentada como obra financiada pelo governo federal. Seu avanço, assim como o das rodovias federais, pode contribuir para a integração da Região Metropolitana e para a circulação de pessoas e cargas.

Na área da saúde, Lucas Ribeiro também citou a construção de hospitais, o programa Opera Paraíba e a manutenção de unidades como exemplos da importância da cooperação com Brasília. O governador mencionou ainda a transposição do Rio São Francisco, novos campi de institutos federais, moradias do Minha Casa, Minha Vida e o Arco Metropolitano entre os projetos relevantes para o estado.

Cada iniciativa, contudo, tem cronograma, fonte de recursos e responsabilidades próprias. A parceria política poderá facilitar a interlocução, mas o resultado dependerá da continuidade dos repasses, da execução e da conclusão das etapas previstas.

O desafio é transformar crescimento em qualidade de vida

A Paraíba tem elementos para ampliar sua presença na economia nacional: turismo em alta, uma capital que atrai novos moradores, pequenos negócios espalhados pelo estado e uma carteira de obras com potencial para melhorar a logística e os serviços públicos.

O alinhamento entre Lula e Lucas Ribeiro cria uma oportunidade para fortalecer a articulação institucional e buscar a continuidade de investimentos federais. Para que essa vantagem política se traduza em resultados, será necessário apresentar projetos consistentes, garantir execução e acompanhar prazos e recursos.

Também será importante ampliar as oportunidades para a indústria, qualificar a mão de obra e fortalecer os negócios locais. O crescimento não pode ficar concentrado na capital nem depender exclusivamente do turismo e dos serviços. Regiões como o Brejo, o Cariri e o Sertão têm vocações próprias que podem gerar emprego e renda se houver integração, infraestrutura e apoio aos empreendedores.

O potencial está posto, mas o desenvolvimento não acontece apenas com anúncios ou alianças. Ele aparece quando uma estrada é entregue, um hospital funciona, uma empresa contrata, um turista movimenta o comércio local e uma família passa a ter acesso a melhores condições de vida.

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