O que Punta Cana ensinou sobre o turismo que João Pessoa quer ter
No encontro anual do Airbnb com os líderes de comunidade da América Latina, o recado foi claro: o hóspede mudou, e quem recebe precisa mudar junto.

Entre 2 e 4 de outubro, estive no Meliá Caribe Beach Resort, em Punta Cana, na República Dominicana, para o Airbnb Community Leader Summit 2026. É a imersão que o Airbnb promove todos os anos com os líderes de comunidade de anfitriões da América Latina. Do Brasil, fomos 33 participantes. Da Paraíba, mais uma vez, um só, e por isso escrevo esta coluna: a informação que circulou lá precisa chegar aqui.
Foram três dias de conversa direta com quem decide os rumos da plataforma na região, incluindo a diretora-geral do Airbnb para a América do Sul, Fiamma Zarife, a gerente regional da Comunidade LATAM, Marcia Motta, e a gerente de Comunidade para o Brasil, Yasmin Medeiros.
O Brasil é protagonista
A equipe latino-americana do Airbnb apresentou os 10 destinos com mais noites reservadas na região nos últimos 12 meses. São Paulo e Rio de Janeiro ocupam o primeiro e o segundo lugar, à frente da Cidade do México e de Buenos Aires. Florianópolis também está no top 10, ao lado de Medellín, Lima, Bogotá, Cartagena e Santo Domingo.
Três cidades brasileiras entre as dez mais procuradas da América Latina. O dado mostra o tamanho do mercado e também a vaga em aberto. Nenhuma capital do Nordeste aparece na lista, e João Pessoa tem praia, sol o ano inteiro e custo competitivo. O que falta para disputar esse espaço?
O que mudou no jogo
Durante os dias de imersão, os temas giraram em torno de uma mesma ideia: hospedagem por temporada deixou de ser renda extra e virou serviço profissional.
- Inteligência artificial. Uma sessão inteira foi dedicada a ferramentas de IA para líderes de comunidade e anfitriões: atender melhor, responder mais rápido e entender o que o hóspede procura.
- Precificação. As ferramentas de preço ganharam destaque próprio, com uma sessão de 45 minutos conduzida pela equipe comercial do Airbnb. Preço certo não é preço baixo: é o preço que o mercado paga naquela data.
- Limpeza e algoritmo. O padrão de limpeza aparece nas avaliações, e as avaliações pesam em quem aparece primeiro na busca. Uma coisa puxa a outra.
- Legalização. Houve espaço para os assuntos jurídicos e para a regularização da atividade. É um debate que João Pessoa precisa fazer com maturidade, sem demonizar o aluguel por temporada nem ignorar o convívio nos condomínios.
- Impacto econômico. O Airbnb apresentou números de geração de emprego formal e informal ligados à atividade no mundo, além de ações sociais da plataforma.
- 2027. Muitas novidades foram antecipadas para o próximo ano. Vou acompanhar e contar aqui quando forem anunciadas oficialmente.
O recado para a Paraíba
João Pessoa começa um novo momento no turismo. Esse momento pede três coisas: profissionalismo, informação de qualidade e, principalmente, serviço para o hóspede. O visitante que chega aqui já se hospedou em São Paulo, no Rio, em Buenos Aires. Ele compara. E escolhe de novo quem o recebeu bem.
A boa notícia é que nada disso depende de grandes obras. Depende de gente bem informada, de anfitriões que tratam o imóvel como hospitalidade e de uma cidade que enxerga o aluguel por temporada como parte da sua economia turística, e não como problema.
Voltei de Punta Cana com essa convicção, e com o compromisso de compartilhar aqui o que aprendi. Contem comigo.
Rayner Holmes é líder da comunidade oficial de anfitriões do Airbnb em João Pessoa, Superhost e editor responsável do Paraíba Hub.
As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a posição do Paraíba Hub.