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Paraíba Hub

Altiplano não pode esperar até 2028: trânsito travado exige ação imediata da Semob

Reportagem aponta concretagens em horário de pico, gargalo na ligação com a Beira-Rio e ladeira do Cabo Branco interditada desde setembro de 2025

Redação Paraíba Hub08 de outubro de 2026, 11:194 min de leitura
Altiplano não pode esperar até 2028: trânsito travado exige ação imediata da Semob

Quem precisa sair do Altiplano pela manhã conhece a cena: uma sequência de veículos, deslocamentos cada vez mais lentos e um acesso que já não acompanha a dinâmica de um bairro em plena transformação.

O problema é especialmente perceptível entre 7h e 9h, quando moradores seguem para o trabalho, escolas e compromissos. No fim da tarde, por volta das 18h, o fluxo de retorno também pressiona as ligações com o bairro.

Nesta quinta-feira (8), por volta das 9h, um registro fotográfico relatado ao Paraíba Hub documentou caminhões-betoneira em atividade nas proximidades de obras do Cabo Branco, justamente no horário em que motoristas enfrentam congestionamentos nos acessos ao Altiplano.

A fotografia, isoladamente, não permite medir o impacto de cada caminhão sobre o trânsito. Mas a coincidência entre operações de concretagem e horários de pico justifica uma fiscalização imediata da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP).

É importante deixar claro: o problema não é construir. A construção civil movimenta empregos, investimentos e serviços. O problema surge quando o ritmo dos empreendimentos não é acompanhado por planejamento de mobilidade e regras operacionais capazes de proteger quem depende das vias públicas.

Um gargalo que não surgiu hoje

O encontro dos fluxos da Avenida João Cirilo da Silva, principal ligação do Altiplano, com a Avenida Ministro José Américo de Almeida, conhecida como Beira-Rio, já é apontado como um ponto de retenções frequentes. Ponto PB

Não se trata, portanto, de atribuir todo o congestionamento às concreteiras. Há um problema estrutural de capacidade e organização viária, agravado pelo crescimento urbano e por interferências pontuais nas pistas.

A própria Prefeitura reconheceu a necessidade de uma intervenção de grande porte.

Em 1º de abril de 2026, anunciou a autorização das obras do Complexo Viário Beira-Rio/Altiplano, com investimento estimado em R$ 235 milhões. Prefeitura de João Pessoa

Já em audiência realizada em 24 de julho, o Ministério Público da Paraíba registrou que, naquela data, segundo representantes municipais, a obra ainda não havia começado e a previsão apresentada era dezembro de 2028 para sua conclusão.

O Ministério Público também acompanhava pendências documentais e relacionadas ao licenciamento do empreendimento. MPPB - Ministério Público da Paraíba

O projeto pode representar um avanço importante, mas deixa uma pergunta incontornável:

Como ficará a rotina de milhares de pessoas enquanto a solução definitiva não chega?

Uma saída a menos: a ladeira fechada

O cenário é agravado por outro problema.

A ladeira que liga o Altiplano ao Cabo Branco, no sentido bairro–orla, foi interditada preventivamente em 1º de setembro de 2025.

Na ocasião, a Prefeitura justificou o bloqueio por razões de segurança, condicionando qualquer liberação a avaliações técnicas da encosta. Prefeitura de João Pessoa

Segundo relato encaminhado ao Paraíba Hub, a restrição ainda afeta os deslocamentos em outubro de 2026.

A segurança precisa prevalecer. Não se deve reabrir uma via com risco de deslizamento.

Mas também não é razoável que a população permaneça sem informações claras sobre o avanço da recuperação e seus prazos.

Há registro de licitação municipal para serviços de contenção na Avenida Cabo Branco e na Ladeira da Barreira, com valor estimado em R$ 22,7 milhões. Busca Licitações

É necessário esclarecer a situação atual da contratação, o cronograma das intervenções e as condições técnicas previstas para uma eventual reabertura.

O que pode ser feito agora

A Semob-JP não precisa esperar a entrega dos viadutos para agir sobre problemas operacionais.

É possível realizar uma operação específica nos acessos ao Altiplano, com agentes de trânsito e acompanhamento do fluxo nos horários de maior pressão.

Também cabe avaliar uma restrição programada de paradas, manobras e operações de descarga de caminhões-betoneira nas vias críticas entre 7h e 9h, além de regras adequadas para o pico da tarde, com exceções justificadas tecnicamente.

A medida deve ser discutida com construtoras e empresas de concreto, para que as concretagens sejam planejadas sem comprometer a segurança ou a qualidade técnica dos serviços.

Obras relevantes para a economia precisam ser compatíveis com o direito de circulação de moradores, trabalhadores, estudantes e visitantes.

Outra providência é exigir, quando cabível, planos de logística de obra: programação de entregas, locais permitidos de parada, rotas de caminhões, sinalização e procedimentos para impedir a obstrução do tráfego.

Ao mesmo tempo, a Prefeitura deve publicar informações atualizadas sobre a ladeira interditada e indicar alternativas seguras enquanto não houver liberação.

A pergunta que fica para a Prefeitura

O Paraíba Hub dirige à Semob-JP e à Secretaria de Infraestrutura quatro questões objetivas:

  1. Há fiscalização das operações de caminhões-betoneira no horário de pico?
  2. Existe restrição ou autorização específica para essas atividades nas vias de acesso ao Altiplano?
  3. Qual é o cronograma atualizado da recuperação da ladeira interditada?
  4. Quais intervenções serão adotadas antes da conclusão do complexo viário?

João Pessoa precisa continuar crescendo. Mas crescimento sem mobilidade cobra uma conta diária de quem vive e trabalha na cidade.

Esperar por 2028 sem um plano de curto prazo não é uma resposta suficiente.

O Altiplano precisa de soluções estruturais — e de ações imediatas.

O Paraíba Hub mantém espaço aberto para manifestação da Semob-JP, da Seinfra, de construtoras e de empresas de concretagem. Informações sobre restrições e prazos poderão ser atualizadas conforme as respostas oficiais.

Contexto

O encontro dos fluxos da Avenida João Cirilo da Silva com a Avenida Ministro José Américo de Almeida (Beira-Rio) já é apontado como ponto de retenções. A Prefeitura autorizou em abril de 2026 o Complexo Viário Beira-Rio/Altiplano, com investimento estimado em R$ 235 milhões, e o Ministério Público acompanhava pendências documentais e de licenciamento. Há ainda registro de licitação municipal para contenção na Avenida Cabo Branco e na Ladeira da Barreira, com valor estimado em R$ 22,7 milhões.

O que acontece agora?

O Paraíba Hub encaminhou quatro questões à Semob-JP e à Secretaria de Infraestrutura sobre fiscalização de caminhões-betoneira no pico, restrições ou autorizações nas vias de acesso, cronograma de recuperação da ladeira interditada e intervenções antes da conclusão do complexo viário. O portal mantém espaço aberto para manifestação dos órgãos, de construtoras e de empresas de concretagem, e informações poderão ser atualizadas conforme respostas oficiais.

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