Projeto Casa dos Mestres reconhece cinco mestres da cultura popular no Alto Sertão da Paraíba
Iniciativa da Associação Cultural Pisada do Sertão está em fase de implantação em Poço de José de Moura, Poço Dantas e Cajazeiras.
Cinco mestres e mestras da cultura popular do Alto Sertão paraibano estão tendo suas trajetórias e saberes reconhecidos pelo projeto Casa dos Mestres, realizado pela Associação Cultural Pisada do Sertão, segundo o G1 Paraíba. A iniciativa está em fase de implantação nos municípios de Poço de José de Moura, Poço Dantas e Cajazeiras.
Participam Maria Lourdes de Souza Mariana, a Dona Lourdes, Mestra Louceira; Roberto Cesário da Silva, o Tatu, Mestre na Poesia; José Vandevan, Mestre de Cultura Popular e do Reisado; Francisco Amaro da Silva, o Chico Amaro, Mestre Sanfoneiro; e Josefa Francisca da Conceição, Dona Zefinha, mestra em artesanato e fiandeira, conforme o G1 Paraíba e o Jornal da Paraíba.
Casas como equipamento cultural
O projeto reconhece simbolicamente como Casas dos Mestres da Cultura Populares as próprias residências onde eles vivem e desenvolvem seus saberes. Cada residência receberá uma Parede da Memória do Mestre, reunindo fotografias, registros das trajetórias de vida, linhas do tempo, objetos, instrumentos e peças, além de placas de identificação.
Para a cofundadora da Pisada do Sertão, Rafaella Lopes, que está à frente do projeto, "durante muito tempo, a ideia de equipamento cultural esteve associada a prédios, museus, teatros e centros culturais. O projeto parte da compreensão de que as casas onde esses mestres vivem e produzem seus saberes também são espaços de cultura, memória e aprendizagem". Ela também afirmou: "Preservar uma tradição não significa colocá-la atrás de uma vitrine. Não basta registrar um saber, é preciso criar condições para que ele continue sendo vivido, compartilhado e aprendido."
Trajetórias reconhecidas
José Vandevan tem sua trajetória ligada ao Reisado José de Moura, manifestação que reúne música, dança, celebração e religiosidade e que, de acordo com o Jornal da Paraíba, atravessa gerações em Poço de José de Moura há mais de 100 anos. Ele entrou na brincadeira aos 18 anos, como brincante, e aprendeu os primeiros passos com o pai, que também era mestre do grupo.
Depois da morte do mestre fundador José de Moura, o grupo ficou mais de 20 anos sem brincar, e a retomada aconteceu durante uma apresentação em homenagem ao centenário de nascimento do fundador. Desde então, José está à frente do grupo há quase 40 anos. Atualmente, cerca de 16 crianças estão sendo preparadas para integrar a brincadeira e, se no início apenas homens participavam, hoje as mulheres são maioria e ocupam posições de destaque na organização.
"Era um mundo encantado pra nós. A gente aqui vivia numa vilazinha que mal tinha uma televisão, algumas casas tinham uma televisão. Então, a gente tinha que inventar as nossas brincadeiras", lembrou José ao Jornal da Paraíba. Ele acrescentou: "Eu canto uma música de um passado e canto um verso de um presente."
Dona Lourdes começou o trabalho com o barro ainda criança, por volta dos 10 anos, seguindo o que havia aprendido com a mãe. Hoje, os seis filhos dela participam da produção e uma das netas já começou a aprender a moldar o barro. "O saber de moldar o barro, de forma ancestral, totalmente às mãos, vem da geração da minha vó", disse Carla Heloísa, filha de Dona Lourdes, ao Jornal da Paraíba.
Já Dona Zefinha planta o algodão, acompanha o cultivo, fia a fibra, produz a própria linha e, a partir dela, cria peças de crochê, que depois são comercializadas. No caso de Tatu, o avô foi mestre do coco, enquanto o pai também esteve ligado à tradição do coco e ao Maneiro-Pau.
A reportagem não localizou posicionamento de Francisco Amaro da Silva até a publicação desta matéria. A reportagem não localizou posicionamento de Josefa Francisca da Conceição até a publicação desta matéria. A reportagem não localizou posicionamento de Roberto Cesário da Silva até a publicação desta matéria.
Segundo o Jornal da Paraíba, o Reisado de José de Moura atravessa gerações há mais de 100 anos em Poço de José de Moura e chegou a ficar mais de 20 anos sem brincar após a morte do mestre fundador, sendo retomado em apresentação de homenagem ao centenário de nascimento do fundador.
A Casa dos Mestres segue em fase de implantação e prevê vivências e visitas pedagógicas para aproximar os mestres das novas gerações, além da instalação da Parede da Memória do Mestre e de placas de identificação em cada residência, segundo o G1 Paraíba.
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Redação Paraíba Hub, com informações de G1 Paraíba, Jornal da Paraíba.
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