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Cinema movimenta R$ 26,54 milhões na Paraíba com 1,33 mi de ingressos

O desempenho do mercado exibidor paraibano em 2025 consta do Informe Anual, que reúne os dados do setor.

Thyago Lúcio03 de novembro de 2026, 15:024 min de leitura
Cinema movimenta R$ 26,54 milhões na Paraíba com 1,33 mi de ingressos
Foto: Magnific

O setor cinematográfico movimentou R$ 26,54 milhões na Paraíba em 2025, com a venda de 1,33 milhão de ingressos. Apesar do resultado econômico, a frequência do público ainda representa um desafio para o mercado estadual, segundo dados do Informe Anual do Mercado Cinematográfico da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Ao longo do ano, cada habitante da Paraíba comprou, em média, 0,36 ingresso. O índice ficou abaixo da média nacional, de 0,53 ingresso por pessoa, indicando que a ida ao cinema ainda ocupa espaço limitado nos hábitos de entretenimento da população.

O cenário também é marcado pela concorrência com as plataformas de streaming e pela necessidade de atrair novas gerações para as salas de exibição.

Público dos cinemas cai no Brasil em 2025

A retração registrada na Paraíba acompanha o desempenho nacional. O Brasil contabilizou 112,8 milhões de espectadores em 2025, uma queda de 10% em comparação com o ano anterior.

A receita de bilheteria chegou a R$ 2,3 bilhões, recuo de 11,4% em termos reais. Foi a primeira redução de público e renda desde o início da recuperação do setor após a pandemia de Covid-19.

Na Paraíba, o preço médio do ingresso foi de R$ 19,86, próximo da média brasileira, de R$ 20,40.

Mais salas de cinema não garantem aumento de público

A queda no número de espectadores ocorreu mesmo com a expansão da infraestrutura de exibição no país.

O Brasil encerrou 2025 com 3.544 salas de cinema em funcionamento, o maior número da série histórica da Ancine. O total de complexos também aumentou, passando de 866 para 886 unidades.

Apesar da ampliação, a disponibilidade de mais salas não garante, por si só, o crescimento da demanda. Os exibidores precisam manter equipamentos, equipes e custos operacionais, o que exige uma ocupação capaz de sustentar o negócio.

Outro fator é a dependência de grandes lançamentos. Em 2025, os filmes com maior público no Brasil foram:

  • Lilo & Stitch: 10,3 milhões de espectadores;
  • Como Treinar o Seu Dragão: 5,9 milhões;
  • Um Filme Minecraft: 5,3 milhões.

A concentração de espectadores em poucos títulos torna o desempenho das redes de cinema sensível ao calendário de estreias e à capacidade de mobilização de cada produção.

Geração Z pode ajudar a atrair público

A mudança nos hábitos de consumo também representa uma oportunidade comercial para o setor. A Geração Z, formada por pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2012, cresceu com acesso permanente a conteúdos digitais e serviços sob demanda.

Isso não significa, necessariamente, afastamento das salas de cinema.

Uma pesquisa da Fandango, plataforma norte-americana de venda de ingressos, realizada em 2026 com 7 mil adultos nos Estados Unidos, identificou que 87% dos entrevistados da Geração Z foram ao cinema pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores.

O índice superou os registrados entre millennials, Geração X e baby boomers.

O levantamento também apontou a importância da experiência social para os mais jovens. A ida ao cinema pode representar um programa coletivo, associado ao encontro com amigos, comunidades de fãs e participação em estreias e eventos.

Embora os dados sejam dos Estados Unidos e não representem estatisticamente o consumidor brasileiro, eles ajudam a compreender tendências do mercado.

Eventos e experiências ampliam as opções dos cinemas

Uma das estratégias para atrair consumidores é diversificar a programação. Transmissões de shows, apresentações musicais, sessões especiais de animações japonesas e conteúdos voltados a comunidades de fãs ampliam as possibilidades de ocupação das salas.

Na Paraíba, o Cinesercla do Shopping Tambiá, em João Pessoa, já inclui eventos musicais internacionais na programação.

Um exemplo é a transmissão de Stray Kids World Tour RUN IT Live Viewing, anunciada para o dia 7 de novembro de 2026.

O formato aproxima as salas de cinema do mercado de eventos e oferece ao público uma experiência coletiva diferente das sessões convencionais.

Com isso, os cinemas passam a explorar novos formatos de entretenimento, voltados a comunidades específicas e experiências compartilhadas.

Desafio é transformar interesse em frequência

A diversificação da programação não elimina os desafios estruturais do setor. O mercado continua dependente da força dos lançamentos, da política de preços, da disponibilidade de horários e da capacidade de oferecer experiências que justifiquem a saída de casa.

Na Paraíba, os dados de 2025 mostram uma atividade econômica relevante, mas também espaço para ampliar a frequência dos espectadores.

O desempenho futuro dependerá da combinação entre programação, inovação na experiência, estratégias comerciais e capacidade de atrair consumidores que dividem seu tempo e orçamento entre diferentes formas de entretenimento.

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