Ex-diretor do Conselho de Segurança dos EUA vê risco de Trump não reconhecer vitória apertada de Lula
Em entrevista ao podcast "A Máquina", Nick Zimmerman afirmou que a relação entre Brasil e Estados Unidos está no pior nível desde 1964.
O ex-diretor para Brasil e Cone Sul do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Nick Zimmerman, afirmou que não descarta a possibilidade de o governo de Donald Trump não reconhecer o resultado de uma eleição presidencial brasileira vencida por Luiz Inácio Lula da Silva por margem estreita. A avaliação foi dada em entrevista ao podcast "A Máquina", publicada em 3 de outubro de 2026 pela Folha de S.Paulo, de acordo com o Poder360.
"Em um cenário no qual o presidente Lula ganha, mas por muito pouco, algo provável, não descarto a possibilidade de o governo Trump não reconhecer o resultado", afirmou, segundo o Poder360.
Segundo o mesmo veículo, Zimmerman ocupou o cargo durante o governo do democrata Barack Obama e hoje é pesquisador sênior do Inter-American Dialogue.
Sanções e pressão
Para o pesquisador, a eventual recusa em reconhecer o resultado teria desdobramentos práticos. "Além disso, no curto prazo, Trump poderia usar esse não reconhecimento do resultado como uma base para novas sanções. Poderia vir a ser um novo instrumento de pressão em 2027", disse.
Zimmerman afirmou que a relação entre Brasil e Estados Unidos chegou ao pior nível desde o golpe de 1964. Ele citou como parte desse contexto o tarifaço imposto ao Brasil no ano passado, as sanções da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Sobre esse último ponto, declarou: "Já tem 25 organizações classificadas como terroristas e a tendência é crescer".
Comparações regionais
O pesquisador mencionou a promessa de US$ 20 bilhões à Argentina antes das eleições legislativas e a ameaça de corte de toda a ajuda externa a Honduras caso o candidato apoiado por Trump não vencesse.
Ele comparou a atuação atual com a de gestões anteriores: "Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama, nenhum desses 3 apoiou publicamente candidatos de outros países nem usou a política econômica como instrumento de pressão para ajudar candidatos estrangeiros", afirmou.
Em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, Zimmerman apontou a China como ponto de tensão: "Vão tentar negociar com Flávio limites ao acesso que a China tem neste setor, considerado crucial para o futuro dos EUA". Ele afirmou que, apesar da proximidade ideológica, Bolsonaro não impediu a participação da Huawei no 5G brasileiro.
Zimmerman descartou a possibilidade de operações militares norte-americanas em território brasileiro, mas apontou risco de impacto no sistema financeiro.
A reportagem não localizou posicionamento de Donald Trump, de Luiz Inácio Lula da Silva, do Governo dos Estados Unidos e do Governo do Brasil até a publicação desta matéria.
- BPoder360Ex-assessor de Obama vê risco de Trump não reconhecer Lula03/10/2026, 09:35
Redação Paraíba Hub, com informações de Poder360.
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